Pedimos a uma IA um cérebro fiel à realidade e ela trouxe o de um voluntário de 1998
Enquanto redesenhávamos a home do vidtreo.com, um cérebro ASCII nos levou por acaso ao Colin 27 e ao seu voluntário. Essa seção anuncia o VIDTREO Intelligence, em etapas finais de teste.
TL;DR
- A seção 03 da nova home do vidtreo.com é o anúncio do nosso novo produto, o VIDTREO Intelligence, que está nas etapas finais de teste.
- Essa seção traz um cérebro desenhado com caracteres. Queríamos que parecesse real, demos ao Claude uma instrução de uma linha e, por coincidência, acabamos com um dos cérebros mais usados da história da neuroimagem.
- Esse cérebro se chama Colin 27. Ele vem de um único voluntário escaneado 27 vezes nos anos 90, e esta é a história dele.
Um anúncio e uma coincidência
A nova home do vidtreo.com é uma sequência que avança com o scroll. Quatro objetos feitos de caracteres ASCII em 3D se montam e se desfazem conforme você desce: uma lente de câmera (VIDTREO Recorder), um microfone (VIDTREO AI), um cérebro e um rosto humano.
O cérebro vive na seção 03, “Entender · VIDTREO Intelligence”, marcada como “Coming soon”. Essa seção é o anúncio do nosso novo produto. O VIDTREO Intelligence está nas etapas finais de teste.
A ideia é simples. Você descreve o que importa para você: pontuar a resposta de uma entrevista, detectar intenção de compra, sinalizar um problema de compliance. O Intelligence transforma cada vídeo em resultados estruturados, e cada afirmação leva ao momento do vídeo que a comprova.
Um produto que entende vídeo precisava de um cérebro. Não planejamos que esse cérebro tivesse uma história própria.
Um cérebro que não parecia um cérebro
A primeira versão era inventada. Dois hemisférios com dobras geradas a partir de ruído matemático e neurônios flutuando ao redor. Os neurônios ficaram exagerados, então os trocamos por faíscas sutis.
Melhorou, mas continuava sem parecer real. Tinha dobras plausíveis, não as dobras de alguém. Quem já viu uma ressonância percebia.
Uma instrução de uma linha
Já tínhamos resolvido o mesmo problema com o rosto humano: uma malha aberta de licença clara no lugar de uma forma inventada. Dissemos ao Claude, no Claude Code, para fazer o mesmo com o cérebro. A frase, em espanhol:
“el modelo del cerebro también tiene que ser fiel a uno real, usa la misma estrategia que usaste para el rostro humano”
Em português: “o modelo do cérebro também tem que ser fiel a um real, use a mesma estratégia que você usou para o rosto humano.” Christian Segovia, ao Claude.
Essa frase não menciona licenças, neuroimagem nem MNI. O Claude encontrou tudo isso sozinho, e não esperávamos por isso.
A busca
Um site comercial não pode usar qualquer malha. O Claude procurou cérebros abertos e revisou NIH 3D, Brainder e as superfícies fsaverage do FreeSurfer. Descartou o FreeSurfer porque a licença é ambígua para uso comercial.
Escolheu o Colin 27 Average Brain do Instituto Neurológico de Montreal (MNI), McGill. A licença concede permissão para usar, copiar, modificar e distribuir o material para qualquer fim, desde que o aviso de copyright seja mantido em todas as cópias. Não há garantia. Cumprimos essa condição, e o aviso completo está no final deste post.
Quem é o Colin 27
Um único voluntário entrou 27 vezes em um aparelho de ressonância no MNI durante os anos 90. Os pesquisadores registraram os 27 volumes e fizeram a média. O método foi publicado em 1998 no Journal of Computer Assisted Tomography: Holmes CJ, Hoge R, Collins L, Woods R, Toga AW e Evans AC, “Enhancement of MR images using registration for signal averaging”. Com tantos escaneamentos na média, até os detalhes finos ficam nítidos.
A página da McGill nomeia o sujeito apenas pelas iniciais, “CJH”. A wiki da MRC Cognition and Brain Sciences Unit, em Cambridge, identifica o voluntário como Colin Holmes, “um dos membros do laboratório do MNI”. Daí vem o nome: Colin, 27 escaneamentos. Escrevemos com essa cautela porque a wiki da MRC CBU é a nossa fonte para a identificação.
O Colin 27 virou um template padrão. Segundo a wiki da MRC CBU, o SPM96 o usou como template padrão, e a página da McGill lista AFNI, Brainstorm, SPM e FieldTrip entre as ferramentas que o adotaram. Incontáveis estudos o usaram.
A McGill também conta um pedido. O Museu de Ciências Naturais do Instituto Real Belga de Ciências Naturais, em Bruxelas, abriu sua “Gallery of Humankind” e perguntou ao Dr. Louis Collins se poderia produzir uma impressão 3D do histórico cérebro Colin27. Sabemos que eles pediram. Não sabemos mais do que isso, e não vamos acrescentar nada.
Usamos a versão de alta resolução de 2008. O estudo original é de 1998.
Da ressonância aos caracteres
Pegamos os dados reais do escaneamento e os transformamos em uma superfície. Amostramos essa superfície em cerca de dez mil pontos, e cada ponto guarda a profundidade real da sua dobra. Assim os giros captam a luz e os sulcos caem na sombra, como em um cérebro de verdade.
Desenhamos o hemisfério direito autêntico, sem espelhar, para que a anatomia continue honesta. O cérebro inteiro pesa cerca de 85 KB.
Por cima, adicionamos faíscas verdes que caminham pelas dobras e conexões ciano, como raízes, que crescem e se apagam. Parece um cérebro aprendendo, e essa é a ideia da seção.
Duas cabeças na mesma página
No último passo da home, o rosto não é de ninguém. É a malha base sintética do MakeHuman, publicada sob CC0 1.0. Uma pessoa que não existe divide a página com o cérebro de alguém que existe.
O contraste combina com o que a VIDTREO defende: “Pessoas reais. Gravações reais.” Deixamos o rosto sintético se quebrar. O cérebro vem de uma pessoa real, e por isso devemos a ela o crédito.
O que a IA fez
Pedimos ao Claude algo simples: ser fiel à realidade. Para cumprir, ele resolveu um problema de design (qual malha usar), um legal (qual licença serve em um site comercial) e um técnico (como passar de um volume de ressonância a um desenho leve). No caminho, trouxe à tona algo que não tínhamos pedido: a história de uma pessoa que emprestou o cérebro à ciência há quase trinta anos.
Uma IA que só produz ilustrações nos teria dado outro cérebro bonito e inventado. Uma IA que busca, compara e descarta nos conectou com um trabalho humano que esperava em um repositório público.
Usamos “nova vida” como metáfora sobre os dados. O Colin 27 é um template que continua servindo à pesquisa, e agora também é um desenho feito de caracteres de luz. Não dizemos nada sobre a vida de Colin Holmes e não atribuímos palavras a ele. Falamos dos dados e do que eles nos permitiram construir.
O que vem a seguir: VIDTREO Intelligence
Essa seção da home é mais do que um desenho. É o anúncio do VIDTREO Intelligence, nosso novo produto, que está nas etapas finais de teste. Você descreve o que importa para você, e o Intelligence transforma cada vídeo em resultados estruturados, com cada afirmação ligada ao momento do vídeo que a sustenta.
Obrigado
Obrigado ao Instituto Neurológico de Montreal e à McGill por publicarem o Colin 27 com uma licença que permite o uso por outros. Obrigado a Louis Collins e à equipe do McConnell Brain Imaging Centre. Acima de tudo, obrigado ao Colin 27: à pessoa que deitou 27 vezes em um aparelho de ressonância para que outros pudessem estudar um cérebro em detalhe.
Veja o cérebro em vidtreo.com. Ele está na seção 03, à esquerda, de frente para o texto.
Fontes
- Colin 27 Average Brain, 2008 (NIST, MNI)
- Colin 27 no BIC da McGill
- McGill: o cérebro Colin27 faz história e entra em um museu europeu
- MRC CBU: MNI e Talairach
- Holmes et al. 1998, J Comput Assist Tomogr 22(2):324-33
- Aubert-Broche, Evans, Collins 2006, NeuroImage 32(1):138-145
- MakeHuman
Aviso da licença do MNI: “Colin 27 Average Brain. Copyright © 1993–2009 Louis Collins, McConnell Brain Imaging Centre, Montreal Neurological Institute, McGill University.” A licença concede permissão para usar, copiar, modificar e distribuir o material para qualquer fim, desde que este aviso seja mantido em todas as cópias. É fornecido sem garantia. Mantemos o crédito no código, no THIRD_PARTY_NOTICES.md e no README.